Faz tempo filósofos discutem sobre as relações entre história natural e história social. Essa abstração teórica, aparentemente desconectada do real concreto, salta ao primeiro plano quando se trata de pensar a atual situação de Santa Catarina, principalmente de Florianópolis.
A força da natureza sempre criou medo e vulnerabilidade no pensamento humano e levou a inúmeras ações práticas, diziam os filósofos. Alguns ligaram medo e vulnerabilidade à própria constituição do “esclarecimento” e da ciência de modo geral. Atualmente, a força da natureza é quase nada quando comparada com a força humana, social, da ganância de construtoras e da alienação da classe alta a respeito das consequências do próprio consumo.
Faz tempo, os mais antenados podem acompanhar a transformação de Florianópolis. Nos anos pós-milagre econômico, Celso Furtado, um entusiasta da industrialização, perguntava sobre qual aumento no PIB pagaria a poluição dos rios e a degradação do ambiente urbano. Hoje, podemos repetir a pergunta de modo espantosamente mais concreto: qual lucro, qual crescimento na arrecadação de impostos pagará o desastre social gerado pela exploração da ilha de Florianópolis? E, para retormar o assunto do primeiro parágrafo, quantas vezes mais a natureza será responsabilizada pelas ações da história humana?
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