Bicicletando

Entradas do Dezembro 2008

Bicicletários

Dezembro 28, 2008 · Deixe um comentário

Saio de casa, pedalando. Vou até a farmácia especializada em produtos para diabéticos, aqui perto de casa. Cinco minutos pedalando. Não há bicicletário. Faço as compras e, pedalando mais cinco minutos, vou até o Zaffari. Não há bicicletário. É preciso deixar a bicicleta no chão e acorrentá-la num rodapé de metal. Faço as compras do dia. Saio do Zaffari e em dois minutos chego em casa. Acorrento a bicicleta numa árvore, subo, deixo as compras. Desço, pego a bicicleta e vou até a faculdade. São mais cinco minutos. Agora, há bicicletário, mas ele é suspenso, preso na parede, e minha bicicleta não cabe. Acorrento num poste de iluminação. Vou até a biblioteca, onde estudo e leio por algumas horas. Preparo uma aula. Perto das 18h pego a Ipiranga e vou até o Teatro Renascença. O trânsito está de alucinar. Buzinas, carros furando o sinal, fechando os cruzamentos, motoristas estressados buzinando, xingando um ao outro (por que de dentro de um carro as pessoas acham que tem o direito de xingar e gritar como um nenezinho mimado?). De bicicleta, faço o trajeto em cinco minutos − mais rapidamente do que qualquer carro, naquele horário. Chego. Obviamente, não há bicicletário (mas, é claro, há estacionamento). Acorrento a bicicleta no corrimão da escada. Cumpro as atividades. Subo na bicicleta, noite firme. Ligo o sinalizador traseiro, pego a rua. O número de carros diminuiu em relação a quando cheguei. Não ouço buzinas. Me sinto seguro e relaxado. Pedalo devagar. Do outro lado da rua, na Lima e Silva, um ciclista desconhecido me cumprimenta. Abano para ele. Corto a Cidade Baixa, entro no Bom Fim, chego em casa. Aplico insulina e janto algo que preparei rapidamente: arroz, guisado com pimenta, e salada. Tomo banho, deito com um livro e antes de dormir me pergunto se é tão difícil os putos colocarem um bicicletariozinho nos lugares mais freqüentados da cidade?

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